Portão deslizante que não para onde devia: passa do fim de curso e bate forte no batente, ou então fecha, chega quase no fim e volta sozinho. Na grande maioria dos casos o culpado é o sensor de fim de curso, o reed switch, aquele interruptorzinho de lâmina selado numa ampola de vidro que fecha o contato quando o ímã preso na cremalheira passa na frente dele. É peça barata e a troca se faz em casa com multímetro e chave de fenda. O erro mais comum é trocar a central inteira achando que o defeito está na placa, quando era só o reed queimado ou o ímã que saiu do lugar.

O que o reed switch faz na prática
Num portão deslizante a central (PPA, Garen, Peccinin, Rossi, Nice) precisa saber onde o portão está para mandar o motor parar. Quem conta isso para ela são dois ímãs fixados na cremalheira, um no ponto de abertura e outro no de fechamento, mais um ou dois reed switches montados perto, na base do motor. Quando o ímã passa na frente do reed, as lâminas internas se fecham por atração magnética e a central recebe o sinal de que chegou ao fim. Sem esse aviso o motor continuaria empurrando até estourar o batente ou pular do trilho. Em centrais com encoder o percurso é contado eletronicamente e não existe reed, mas no deslizante residencial comum o reed ainda é o padrão.
Os sintomas e o que cada um quer dizer
Dá para apontar o defeito antes de abrir qualquer coisa, só pelo comportamento:
- Passa do ponto e bate no batente: o ímã não está acionando o reed daquele lado. Pode ser o reed queimado, o ímã solto ou longe demais do sensor.
- Para alguns centímetros antes do fim: o reed aciona cedo demais. Quase sempre é o ímã que escorregou na cremalheira.
- Abre direito mas não fecha (ou o contrário): defeito num reed só. Cada sentido tem o seu, então se um lado funciona e o outro não, o suspeito é o sensor do lado que falha, não a central.
- Para em lugares aleatórios ou não deixa programar o percurso: sinal intermitente, fio rompido ou mau contato no borne da placa.
Antes de condenar o sensor, elimine o óbvio: trilho sujo, roldana travada, falta de graxa na cremalheira. Portão pesado que arrasta engana e parece defeito eletrônico.
Testando o reed com multímetro
É teste de dois minutos. Desligue a energia no disjuntor antes de mexer na placa, sempre. Solte os dois fios do reed do borne da central (anote ou fotografe a posição) e ponha o multímetro na função continuidade, a que apita. Encoste as pontas nos dois fios do sensor. Sem ímã por perto, o reed normalmente aberto fica calado. Aproxime um ímã do corpo do sensor: ele deve apitar na hora, e parar ao afastar. Se não muda de estado ao aproximar e afastar o ímã, o reed está queimado e é troca na certa. Agora, se o sensor responde ao ímã na bancada mas o portão continua sem parar, o problema não é o reed: é o ímã da cremalheira fora de posição ou enfraquecido.
Trocando o sensor
Com a energia desligada, localize o reed defeituoso, fixado por parafuso, abraçadeira ou encaixado num suporte perto do motor. Desconecte os dois fios da placa anotando onde cada um estava. O reed não tem polaridade, mas o borne da central tem, então a ordem na placa importa. Tire o antigo, limpe a área, posicione o novo exatamente no mesmo lugar e orientação, e refaça as ligações firmes e bem isoladas. Prenda o cabo com abraçadeira para não encostar nas partes móveis. Religue e faça alguns ciclos completos observando a parada nas duas pontas.
Quando é o ímã, não o sensor
Boa parte dos chamados de fim de curso se resolve sem trocar nada: é só o ímã que afrouxou e escorregou na cremalheira com a vibração. Se o portão passou a parar fora do ponto do nada, afrouxe o parafuso do ímã, desloque poucos milímetros por vez e teste, até a parada ficar certa. Ímã muito distante do reed não aciona; perto demais pode acionar antes da hora. E, sendo honesto, se a placa já tem anos de uso, com fios ressecados e bornes corroídos, trocar só o reed resolve por um tempo e o defeito volta em outro ponto. Nesse caso vale olhar o conjunto, não só o sensor.


