Fim de Curso

Fim de curso do portão deslizante desregulando sozinho: o que verificar na central, nos ímãs e no motor

Renata BuenoLeitura de 5 min
Fim de curso do portão deslizante desregulando sozinho: o que verificar na central, nos ímãs e no motor

Portão deslizante que ora fecha certo, ora para antes, ora força a folha contra o batente está com o fim de curso desregulando sozinho. No deslizante, o fim de curso é quase sempre feito por ímãs presos na folha que passam na frente de um sensor (reed switch ou sensor Hall) no motor. Quando esse ajuste “anda” sozinho, raramente é a central ficando louca: são os ímãs saindo do lugar, a fixação afrouxando, ou o sensor perdendo sensibilidade. Entender onde o sinal nasce e por onde ele se perde é o que faz você resolver em vez de ficar reajustando toda semana.

Fim de curso do portão deslizante desregulando sozinho: o que verificar na central, nos ímãs e no motor

Como o fim de curso magnético funciona no deslizante

Na maioria dos deslizantes (PPA, Garen, Rossi, Peccinin), existem dois ímãs presos na cremalheira ou numa régua: um marca o ponto de portão aberto, outro o de fechado. Dentro do motor há um sensor que, quando o ímã passa na frente dele, manda o sinal para a central parar. Simples e robusto, mas depende de duas coisas delicadas: o ímã estar firme e na distância certa do sensor, e o sensor estar são.

Quando algo nesse conjunto varia, o portão passa a parar em lugar errado, e como a variação é gradual, dá aquela sensação de que “desregula sozinho”. Não é mágica, é peça se mexendo de leve a cada uso.

O suspeito número um: o ímã afrouxando

Na prática da bancada, a causa mais comum de fim de curso que desregula sozinho é o ímã perdendo fixação. O ímã costuma ser preso por um parafuso ou um grampo na cremalheira. Com a trepidação de abrir e fechar todo dia, esse parafuso afrouxa aos poucos, e o ímã escorrega alguns milímetros. Resultado: o sensor pega o ímã um pouco antes ou depois, e o portão para fora do ponto.

O que verificar:

  • Os ímãs estão firmes? Tente mexer com a mão (energia desligada). Se balançam, está aí o problema.
  • A distância entre o ímã e o sensor está certa? Geralmente poucos milímetros, o suficiente para o sensor “sentir” sem o ímã raspar. Ímã longe demais, o sensor não pega direito e o portão vai até forçar o batente.
  • O ímã está na polaridade certa? Alguns sensores só reagem a uma face do ímã. Ímã virado ao contrário (depois de alguém mexer) não aciona. Se trocaram o ímã e parou de funcionar, pode ser isso.

A correção na maioria das vezes é reposicionar o ímã no ponto certo e apertar bem a fixação, de preferência com um trava-rosca ou uma gota de cola nos parafusos, para não afrouxar de novo com a vibração.

Quando o problema é o sensor no motor

Se os ímãs estão firmes e bem posicionados mas o portão continua errando o ponto, o sensor pode estar falhando. Reed switch resseca e passa a falhar de forma intermitente; sensor Hall sofre com umidade e mau contato na fiação. Sintoma típico de sensor ruim: o portão erra o ponto de forma aleatória, às vezes para, às vezes não, sem padrão, diferente do ímã afrouxado que vai mudando aos poucos sempre na mesma direção.

Um teste simples: com cuidado, passe um ímã na frente do sensor manualmente e veja se a central reage (o portão para ou o LED do fim de curso acende). Se o sensor não responde a um ímã bom passado na mão, o sensor ou a fiação dele estão com problema.

E a central, pode ser ela?

Pode, mas é menos comum, e vale descartar por último. Algumas centrais têm ajuste de desaceleração e de rampa de parada; parâmetro errado faz o portão parecer que erra o fim de curso, quando na verdade ele passa do ponto por inércia. Se o portão para no lugar certo em velocidade baixa mas passa direto quando vem rápido, olhe o parâmetro de desaceleração antes de culpar ímã ou sensor.

Fiação também entra aqui: fio do sensor até a central ressecado, com mau contato ou roído por bicho, manda sinal intermitente e simula fim de curso louco. Mexa na fiação com o portão em movimento (cuidado com a folha) e veja se o comportamento muda.

Centrais com fim de curso por encoder

Vale lembrar que nem todo deslizante usa ímã. Modelos mais novos, principalmente alguns Nice e centrais com motor sem fim de curso físico, usam encoder, que conta voltas do motor. Nesses, “fim de curso desregulando” normalmente é perda de referência depois de queda de energia ou patinagem, e a solução é refazer o aprendizado de curso, não mexer em ímã, porque ímã não existe ali. Confira qual é o seu sistema antes de sair procurando ímã que não tem.

Resumo de como atacar

Comece pelos ímãs, porque é barato e é a causa mais frequente: aperte, reposicione, trave a rosca. Se persistir, teste o sensor com um ímã na mão. Só depois olhe fiação e parâmetros da central. Na prática, a grande maioria dos casos de fim de curso que “desregula sozinho” morre no primeiro passo, um parafuso de ímã apertado direito. Gastar com técnico antes de conferir isso costuma ser dinheiro jogado fora.

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