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Portão eletrônico com ruído excessivo ao abrir/fechar: como lubrificar e verificar rolamentos do motor deslizante

Renata BuenoLeitura de 5 min
Portão eletrônico com ruído excessivo ao abrir/fechar: como lubrificar e verificar rolamentos do motor deslizante

O portão deslizante começou a abrir fazendo um barulho que a rua inteira escuta: um ronco grave, um rangido metálico ou um chiado agudo que não tinha antes. Antes de imaginar o pior e pensar em motor novo, saiba que a grande maioria dos ruídos em deslizante vem de lubrificação que acabou e de rolamentos pedindo atenção, coisas baratas de resolver. O som, aliás, entrega bastante sobre onde está o problema: cada tipo de ruído tem uma origem típica.

Portão eletrônico com ruído excessivo ao abrir/fechar: como lubrificar e verificar rolamentos do motor deslizante

Escute o portão: o som diz onde está o defeito

  • Rangido metálico seco, “crec crec” acompanhando o movimento: atrito entre a cremalheira e a engrenagem (pinhão) do motor, ou cremalheira sem lubrificação. Clássico de falta de graxa.
  • Chiado agudo, tipo apito, nas roldanas: as roldanas (rodas) do portão que correm no trilho estão secas ou com o rolamento começando a travar.
  • Ronco grave, vibração, “zumbido” alto do motor: rolamento do próprio motor gasto, ou folga no acoplamento. Se o ronco vem junto com perda de força, pode já ser engrenagem interna.
  • Estalos secos em pontos específicos do curso: parafuso de fixação da cremalheira solto, ou roldana passando por um ponto defeituoso do trilho.

Identificar o tipo de som economiza tempo: você vai direto onde interessa, em vez de lubrificar tudo no escuro.

Antes de tudo: desligue e teste na mão

Desligue a energia no disjuntor. Destrave o motor (toda cremalheira tem a chave de destrave) e mova o portão na mão, devagar, sentindo onde ele “agarra” e de onde vem o barulho. Portão bem conservado corre na mão com pouco esforço e sem ruído. Se você sente pontos duros, raspagem ou um trecho onde ele quase trava, já localizou a região problemática. Isso separa o que é mecânica do portão do que é o motor.

Lubrificação: o que usar e onde (e o que NÃO usar)

O erro mais comum de todos é esguichar óleo WD-40 ou óleo fino em tudo. WD-40 é desengripante, não lubrificante de longa duração: ele solta a sujeira, alivia na hora, e em uma semana evapora e o rangido volta pior, porque levou junto a graxa que ainda tinha. Use cada coisa no seu lugar:

  • Cremalheira e pinhão: graxa. Graxa branca de lítio ou graxa em spray específica, que adere e dura. Passe uma camada fina ao longo dos dentes e acione o portão algumas vezes para espalhar. Não exagere: graxa demais vira ímã de poeira e areia, que forma uma pasta abrasiva que come os dentes.
  • Roldanas e trilho: o trilho em si geralmente fica limpo e seco (sujeira no trilho faz o portão patinar). A lubrificação vai no eixo/rolamento das roldanas, não no piso do trilho.
  • Rolamentos: se forem blindados, não aceitam lubrificação externa útil, são para trocar. Se forem abertos, graxa de rolamento.

Verificando os rolamentos

Com o portão destravado e parado, gire cada roldana com a mão e balance o portão para cima e para os lados. Rolamento bom gira liso e silencioso. Rolamento ruim dá aquele rangido ou granulado ao girar, trava em pontos, ou tem folga (a roda balança no eixo). Roldana com rolamento gasto além de barulho faz o portão “cair” de um lado e desalinhar, aí a cremalheira começa a trabalhar torta e o ruído do pinhão aumenta junto, um problema puxando o outro.

O rolamento do motor você percebe pelo ronco com o portão ligado e pela vibração que se sente na carcaça. Esse é mais delicado: abrir o motor para trocar rolamento exige desmontar o conjunto e, dependendo do modelo, prensa. Na prática, se o motor ronca por rolamento interno gasto e já tem muitos anos de uso, avalie o custo do reparo contra um motor novo, porque um rolamento gasto costuma vir acompanhado de engrenagem e bucha também no fim da vida.

Não esqueça do aperto

Metade dos ruídos “misteriosos” é parafuso solto. A vibração do uso diário afrouxa tudo com o tempo: fixação do motor na base, parafusos da cremalheira, suportes das roldanas. Faça uma revisão de aperto geral, com a energia desligada. Cremalheira solta bate contra o pinhão e faz um estalo que parece defeito grave e não é.

Rotina que evita o problema

Deslizante pede uma olhada a cada três ou quatro meses: limpar o trilho, relubrificar a cremalheira, checar apertos e girar as roldanas sentindo folga. Dez minutos de manutenção evitam a troca de uma engrenagem de pinhão comida pela areia ou de um motor que rodou anos vibrando num rolamento seco. Portão que recebe graxa na hora certa é portão silencioso, e silêncio aqui é sinal de que está tudo trabalhando como deveria.

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