Portão pivotante de duas folhas que bate forte ao abrir, ou que fecha e deixa as folhas desencontradas, uma travando na frente da outra: quase sempre é fim de curso mal ajustado. Com dois motores o trabalho dobra, porque cada folha tem o seu conjunto de fim de curso e a central ainda precisa coordenar quem abre e quem fecha primeiro. Ajuste malfeito não é só questão de estética: força o batente, esquenta o motor e come a vida útil do capacitor e da placa. A boa notícia é que o ajuste é sequência, não adivinhação, e sai bem feito com um pouco de paciência.

O que você vai ajustar
São dois portões trabalhando juntos, cada folha no seu motorredutor, sob o comando de uma central. O fim de curso é o que avisa a central onde cada folha está: aberta, fechada, ou na hora de começar a desacelerar. Em pivotante você encontra três tipos. O magnético (reed switch com ímãs na haste) é o mais comum nos motores de braço. O encoder conta o giro do motor e a central aprende o percurso sozinha, sem ímã nenhum, tudo eletrônico. E o mecânico, de micro-chave batida por um came, cada vez menos usado. PPA, Garen, Peccinin, Rossi e Nice trabalham com reed ou encoder conforme a linha do motor.
Antes de mexer
Desligue a energia no disjuntor, sempre, antes de abrir a central. Destrave os dois motores e empurre cada folha na mão: se arrasta, raspa no chão ou tem folga na dobradiça, resolva isso primeiro. Fim de curso nenhum conserta problema mecânico, só mascara até forçar o motor. Confira os batentes físicos: o fim de curso eletrônico tem que agir um pouco antes do batente, nunca depois, para a folha chegar desacelerando e não na pancada.
A ordem certa do ajuste
Comece pela abertura, com o portão fechado. Se a central tem função de apagar percurso ou reset, vale zerar antes para não brigar com ajuste antigo. Em encoder você vai iniciar um aprendizado novo de qualquer jeito.
- Abertura, folha 1: mande abrir e deixe a folha que abre primeiro chegar na posição desejada, um pouco antes do batente. No reed, deslize o ímã de abertura do motor 1 até ele acionar o sensor naquele ponto. No encoder, a central memoriza sozinha durante o aprendizado.
- Abertura, folha 2: repita no motor 2. As duas devem parar abertas sem empurrar o batente.
- Fechamento, folha 1: mande fechar. A folha que encosta por baixo, a que fecha primeiro, tem que chegar antes. Ajuste o ímã de fechamento do motor dela.
- Fechamento, folha 2: a segunda folha fecha por cima, encaixando na primeira ou no batente central. Ajuste para um encontro firme, sem folga e sem que um motor force o outro.
Sincronismo, rampa e força
Com o fim de curso ajustado, falta o que faz o portão de duas folhas funcionar bonito. O atraso entre folhas (delay) na central é o que impede a colisão: na abertura a folha 1 sai na frente, no fechamento ela chega antes para a 2 encaixar. A rampa de desaceleração (soft stop) tira a pancada no fim do curso; se está batendo forte, aumente a rampa ou reduza a velocidade final. A força, ou embreagem eletrônica, tem que ser suficiente para mover a folha e reverter se encontrar obstáculo. Não bote no máximo: força no talo anula a segurança anti-esmagamento, e aí o portão vira um perigo.
Os defeitos mais comuns depois do ajuste
- Folhas se chocam no centro: delay entre folhas curto ou invertido. A que fecha por cima tem que atrasar.
- Bate forte no fim do curso: rampa curta ou ímã de desaceleração mal posicionado.
- Reverte sozinho antes de fechar: embreagem sensível demais, ou folha raspando que a central lê como obstáculo.
- Passa do ponto: no reed, ímã longe do sensor ou solto; no encoder, sensor sujo ou percurso perdido, nesse caso refaça o aprendizado.
Na prática, a vibração do dia a dia afrouxa parafuso de ímã e de suporte com o tempo. Se o portão andava certo e começou a desregular do nada, cheque primeiro se algum ímã escorregou, antes de sair refazendo tudo do zero.


