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Portão eletrônico fecha e abre em seguida: como resolver problema de rebatida

Fernanda LisboaLeitura de 5 min
Portão eletrônico fecha e abre em seguida: como resolver problema de rebatida

O portão fecha tudo, encosta no batente e, em vez de parar, recua e abre de novo sozinho. Essa “rebatida” quase nunca é defeito grave: na maioria das vezes é o sistema anti-esmagamento fazendo o trabalho dele, achando que bateu num obstáculo quando na verdade bateu no fim do curso ou numa resistência mecânica. Entender que a central reverte de propósito, para não esmagar ninguém, já aponta para onde olhar: força, fim de curso e mecânica do portão.

Portão eletrônico fecha e abre em seguida: como resolver problema de rebatida

Por que a central manda abrir de novo

Automatizador moderno monitora o esforço do motor. Se, durante o fechamento, a corrente sobe de repente (sinal de que o portão encontrou resistência), a central interpreta como obstáculo e reverte, para não prensar o que estiver ali. É um recurso de segurança, não um bug. O problema aparece quando ela reverte sem obstáculo nenhum, e aí a causa é uma destas: a força está regulada baixa demais, o fim de curso está no lugar errado, ou o portão está duro no final do trajeto e engana o sensor.

Diagnóstico diferencial: onde ela rebate

O ponto onde a rebatida acontece já entrega a causa:

  • Rebate só quando o portão encosta no batente, no finalzinho: fim de curso de fechamento mal posicionado. A central ainda está mandando fechar quando o portão fisicamente já não pode andar mais, a corrente dispara e ela reverte. É a causa mais comum.
  • Rebate sempre no mesmo ponto no meio do caminho: é mecânica. Trilho sujo, roldana travando, cremalheira com um dente ruim ou o portão raspando em algo. O motor força naquele ponto, a corrente sobe e a central reverte.
  • Rebate de forma aleatória, em pontos diferentes: força regulada baixa demais, capacitor enfraquecido perdendo torque, ou fotocélula dando disparo falso. Pontos variados apontam para sinal elétrico, não para um obstáculo fixo.

Ajuste do fim de curso

No deslizante, o fim de curso são os ímãs ou as hastes que dizem para a central onde o portão está totalmente aberto e totalmente fechado. Se o ímã de fechamento está posicionado depois do ponto onde o portão realmente encosta, a central continua mandando fechar contra o batente, a corrente sobe e ela reverte. O ajuste é mover o ímã (ou a came, nos modelos com fim de curso mecânico) para que a central entenda “fechou” um instante antes de o portão bater com força no batente. Em centrais com fim de curso por encoder (as que contam voltas em vez de usar ímã), o acerto é refazer o aprendizado de percurso, deixando a central remapear onde é o fim do trajeto.

Ajuste de força e o anti-esmagamento

Quase toda central PPA, Garen e Rossi tem um ajuste de força, às vezes um trimpot na placa, às vezes um parâmetro no display. Se a força está baixa demais, qualquer resistência normal (vento, peso do próprio portão na subida de um trilho levemente inclinado) já é lida como obstáculo e dispara a reversão. A tentação é botar força no máximo para acabar com a rebatida, e aqui vai o aviso honesto: não faça isso. Força no talo desliga na prática a proteção anti-esmagamento, e aí o portão passa a fechar com força suficiente para machucar de verdade. O certo é regular a força no mínimo que faça o portão completar o trajeto com folga, e resolver a causa mecânica da resistência, não mascarar com força bruta.

Antes de mexer na eletrônica, teste a mão

O teste que elimina metade das dúvidas: desligue o motor, desengate pela chave e empurre o portão na mão por todo o trajeto, devagar. Ele desliza leve do começo ao fim? Ou tem um ponto onde pesa, range ou trava? Se pesa na mão, vai pesar para o motor, e é ali que a central vai rebater. Nesse caso o conserto é mecânico: limpar e lubrificar o trilho e as roldanas, conferir se a cremalheira está bem fixada e alinhada com a engrenagem do motor (folga de uns 2 mm entre o dente da cremalheira e o pinhão, nem apertado nem solto), e ver se o portão não está empenado ou saindo do prumo.

Capacitor: o suspeito esquecido

Se o portão sempre andou bem e começou a rebater do nada, perdendo força, desconfie do capacitor do motor. Capacitor enfraquecido entrega menos torque, o motor não vence a parte final com a potência de antes, a corrente oscila e a central rebate. É peça barata e, no fechamento com perda de força progressiva, costuma ser a resposta. Na prática, antes de condenar a central, teste o capacitor ou troque por um de mesmo valor (em microfarads) e veja se o torque volta.

Resumindo o caminho: ache onde rebate, teste o portão na mão, acerte fim de curso e mecânica, e só então mexa na força, sempre para baixo, nunca entupindo no máximo.

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